Incontáveis poetas, romancistas e filósofos marcam suas produções escritas com uma reflexão profunda sobre a natureza da palavra. Ainda que cheguem a destinos completamente distintos, o ponto de origem parece ser sempre o mesmo: um poder misterioso – ao mesmo tempo banal e onipotente – da palavra.
De um lado, uma visão esvaziante segundo a qual “palavras são apenas palavras” e não podem realmente atingir aquela essência verdadeira, somente atingível pela razão pura ou pelos atos (que, supostamente, manifestam genuinamente aquilo que as palavras apenas “representam”).
De outro lado, uma visão de veio misticista que atribui à palavra um poder total sobre as emoções, os pensamentos e até mesmo sobre o estado de coisas. É deste ponto de vista que se diz também que pode se conhecer um homem pelas suas palavras. Da mesma fonte, nasce a crença de que falar uma palavra ruim (uma doença grave, por exemplo) pode atrair a coisa que ela denomina.
Na foz bifurcada da questão sobre a real natureza da palavra, não se pode afirmar exatamente quem é que está com a razão sobretudo porque a questão relevante não se encontra na desembocadura da reflexão, mas sim em sua origem. Se é que há algo aí que valha a pena ser investigado e, possivelmente, descoberto, este algo se encontra ali na nascente.
E esta nascente aqui apelidada de J.P. continua, com mais ou menos frequência, a me verter essas pedras preciosas – simultaneamente esvaziadas e onipotentes – que luzem diante dos meus olhos assombrados. A mim, nada mais cabe no momento senão contemplá-las com os olhos extasiados de quem um dia espera encontrar a nascente.
“a dor que mais me machuca é a que eu sinto na minha pele”
“Se eu estivesse lá no Japão frente a uma moça que perdeu toda sua família não ousaria dizer “filha, erga as mãos para o céu e agradeça; você não tem mais casa, não tem mais ninguém, não tem água para beber, mas REFLITA: ao menos você não tem anorexia. Oh, yeah!”
“Veja quais negociações pode fazer consigo mesma. Se você não conseguir negociar com você, alguém aparecerá e começará a impor”
“Podem me achar linda, burra, chata, interessante, inútil, tagarela, irritante, sensível, mala… Achem o que quiser. Tenho muito, mas MUITO pouco a ver com isso. Às vezes não tenho NADA a ver com isso.”